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12/01/2015 - Emprego industrial inicia 2015 sob ameaça
Um quarto das empresas pretende demitir até fevereiro, apura pesquisa da FGV

A indústria começa 2015 com forte propósito de cortar trabalhadores. Em dezembro, quase um quarto de cerca de mil indústrias informou que planeja demitir até fevereiro. É praticamente o dobro das que pretendem contratar no mesmo período, aponta a Sondagem da Indústria de Transformação da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Na primeira semana do ano, duas gigantes do setor automotivo abriram a temporada de demissões: Volkswagen e a Mercedes-Benz juntas cortaram um pouco mais de mil trabalhadores. "O cenário para o emprego no primeiro trimestre não é favorável", diz o superintendente adjunto de ciclos econômicos da FGV e responsável pela sondagem, Aloisio Campelo.

No quesito da pesquisa que avalia o emprego previsto para três meses, o indicador recuou em dezembro de 2014 para o menor nível desde março de 2009, quando a economia brasileira sentia os efeitos da crise financeira internacional e demitia para ajustar a produção ao menor ritmo de vendas. No mês passado, o indicador de emprego previsto para três meses, que considera o próprio mês da pesquisa e os dois seguintes, ficou em 89,2 pontos. Em março de 2009, estava em 85,5 pontos. Abaixo de 100 pontos, o indicador sinaliza que há mais empresas com intenção de demitir e acima de 100, a tendência é de contratação.

Desde de 2011, Campelo observa que a indústria vinha sofrendo com a produção em queda. Há oito meses seguidos, as expectativas do setor em relação ao emprego pioram e a estratégia de segurar pessoal na esperança de que a economia melhore acabou.

O tombo da indústria fica claro nos números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre janeiro e novembro de 2014, o dado mais recente, a produção industrial caiu 3,2% em relação ao mesmo período de 2013. "Agora não tem como reter mão de obra porque as margens estão sendo afetadas. Além disso, a situação do mercado de trabalho já não é de aperto como era antes", diz Campelo.

A intenção de demitir no primeiro bimestre do ano atinge praticamente todos os segmentos da indústria, mas é mais crítico em seis setores: material de transporte, têxtil, minerais não metálicos, produtos farmacêuticos e veterinários, material elétrico e de comunicações e alimentos. A economista da FGV Tabi Thuler Santos observa que no caso de veículos e da indústria têxtil a intenção de cortar mão de obra foi provocada pelo aumento dos estoques, que recuaram, mas ainda estão em nível elevado. Já no caso minerais não metálicos, que são insumos usados na construção civil, produtos farmacêuticos, alimentos e material elétrico e de comunicações, o ajuste do emprego se deve à demanda fraca.

Ajuste. Entre setembro e novembro do ano passado, houve cerca de 7 mil demissões no polo industrial de Manaus (AM), segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas. Deste total, 4 mil demissões ocorreram por redução de linhas de produção em duas indústrias do setor eletrônico, a Philco e a Lenovo, conta o presidente do sindicato, Valdemir Santana.

Segundo o sindicalista, a Lenovo demitiu 1,5 mil funcionários e a Philco, 2,1 mil da linha de TVs. Procurada, a Philco não retornou a solicitação. Por meio de nota, a Lenovo informou que "a companhia balanceou sua força de trabalho, transferindo as linhas de PCs para a sua nova fábrica, em Itu (SP)". Segundo a empresa, essa medida permitirá que a companhia ganhe eficiência operacional e financeira na unidade.

"Não é que exista pessimismo em relação a 2015, mas o otimismo é bem pequeno", afirma o presidente do Centro das Indústrias do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco. Ele calcula que as indústrias do Amazonas tenham encerrado 2014 com queda de 4% a 5% no faturamento sobre 2013. "Para este ano, se ficar estável, será muito bom", prevê.

Périco teme que as incertezas em relação ao ajuste da economia acabem respingando no consumo e no emprego. De toda forma, ele acredita que o quadro em relação à atividade e ao emprego deve ficar mais claro nas próximas semanas.
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